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Mas cadê o príncipe que estava aqui??

BY Nachara Zen Costa IN , , , ,

       

        Sempre que nos deparamos com as grandes questões universais acerca da vida, um dos principais anseios humanos está centrado na busca da felicidade ou completude. Pensa-se, muitas vezes, que para ser feliz, é necessário ter alguém com quem compartilhar “a alegria, a tristeza, a saúde, a doença, até que a morte nos separe”. E que caso não se encontre essa pessoa “ideal”, estaríamos fadados ao fracasso. Ninguém deseja “ficar pra titia” ou ser o “velho babão”. Esses jargões mostram claramente o quanto a nossa cultura traz a mensagem de que estar só é uma coisa ruim.
        Para entendermos melhor nossa atualidade, vamos voltar na época dos nossos avós. Neste período da história, o comum era a mulher dona de casa, cuidadora dos filhos e do esposo; e o homem, o provedor da família. A mulher não tinha o direito ao trabalho fora de casa, à voz e vez, ou de opinar sobre as decisões importantes da família. Esse poder estava destinado ao homem, detentor de todo o saber. Para um relacionamento, esse encaixe era ideal, já que um necessitava do outro para ser feliz. 
        Com o surgimento da revolução industrial e sexual, como a pílula anticoncepcional, os eletrodomésticos (adoro a maquina de lavar!), televisão, internet, acesso fácil e ilimitado à informação e cultura, as mulheres saíram do papel de subjugada na relação amorosa e assumiram um papel mais ativo e transformador da própria cultura. E os homens, por sua vez, encontram-se divididos entre a admiração desta nova mulher e o desejo secreto de ter a mulherzinha de outrora, aquela que eles podiam controlar.  
        A psicologia nos mostra que a gente aprende no decorrer da vida, com as pessoas de nosso convívio, o que desejar. Seja em matéria de relacionamento, profissão, amizade... Por isso as pessoas têm desejos diferentes e ao mesmo tempo parecidos, porque tivemos experiências diferentes, mas com pessoas de uma mesma cultura. Tanto a mulher quanto o homem, apesar de encontrarem-se inseridos nessa modernidade, ainda assim carregam muitos resquícios culturais herdados dos antepassados, já que foram criados por estes e aprenderam ainda, todos os valores e ideais do que é considerado bom ou ruim.
        Agora vamos pensar nos nossos ideais de relacionamento. O que você deseja hoje foi sendo construído aos pouquinhos, desde as historias de contos de fadas que você ouviu quando pequena, o vivenciar do relacionamento dos seus pais, a sua própria história de vida, os filmes românticos, a narrativa daquela amiga que tem o amor perfeito. Tudo isso (e muito mais) influenciou direta ou indiretamente sua forma de pensar atual.
        Geralmente o amor ideal vem permeado por uma fantasia cheia de predicados: “ele tem que ser bonito (não precisa ser um astro de hollywood); “tem que ser inteligente (pelo menos tem que saber que 2 + 2 são 4)”; “tem que ter um emprego estável (um presentinho sempre cai bem)”; E principalmente, tem que satisfazer meus desejos, de preferência adivinhá-los, ser romântico, atencioso, carinhoso, e todos os bons “osos” disponíveis no dicionário”.
        Ok, então você já sabe o que é bom, e decide ir à luta. Se produz pra balada, os amigos te apresentam os amigos deles, você elabora um perfil genial em todos os sites de relacionamentos da web, fica de olho nos colegas de trabalho, academia, carteiro, padeiro, técnicos de informática, vizinhos, e abracadabra! Surge o Joãozinho. E ele te faz rir, te faz companhia, paga o jantar, não é tão bonito, nem tão rico, nem tão inteligente. PERAÍ! Alguma coisa não bateu! Cadê o João que eu estava esperando? Isso te lembra de alguma coisa?
        Eis a grande questão. Na maior parte das vezes o João ideal é diferente do João real, às vezes pode até ser um Mário! E você tem um dilema “um Mário na mão é melhor que dois joãos voando?” ou “antes só do que “Mário” acompanhada?”.
        Uma das maiores dificuldades nos relacionamentos, desde sempre, está justamente quando essa situação acontece. Como lidar com ela? até que ponto a gente consegue “deixar de lado” os ideais construídos ao longo da nossa vida para viver plenamente com a pessoa real? Que tem sim limitações, mas que também tem qualidades.   O sucesso de uma relação está muito ligado à capacidade de cada parte em ceder e se colocar no lugar do outro e também na habilidade de comunicação de cada um.
Neste caso ceder está relacionado ao ato de ser flexível em relação aos nossos ideais e olhar com “bons olhos” o nosso parceiro real, às vezes a gente perde muito tempo se lamentando pelas qualidades que o outro não tem e esquecemos de ver as características boas da pessoa. Não estou dizendo para fechar os olhos ao que não te agrada, isso não ajuda em nada, o que ajuda é enxergar bem direitinho a realidade com toda sua amplitude, ninguém é feito só de defeitos ou coisas boas, e pra decidir o que é melhor pra nós precisamos ter os pés no chão.
Se colocar no lugar do outro pode ser muito útil quando a gente está envolvido com alguém, pense bem, se você é do jeito que é porque aprendeu com a vida, seu parceiro também teve uma vida toda pra aprender antes de te conhecer. As experiências moldam pessoas diferentes, ter isso em mente colabora na hora da resolução dos conflitos. Mas preste atenção: se colocar no lugar do outro não significa aceitar tudo o que o outro faz!
É nesse momento que precisamos lançar mão da nossa habilidade de comunicação, porque obviamente não existe o par perfeito, uma relação precisa ser construída e se a gente não se comunicar, vai ficar pulando de galho em galho para, lá no fim, ver que sempre falta alguma coisa.
Já que ele e nem você têm uma bola de cristal para adivinhar o que tem na cabeça do outro, geralmente a gente faz pressupões a partir das próprias experiências, quer dizer: quando você julga o porquê de alguém fazer algo, você julga a partir do que VOCÊ faria se estivesse no lugar dela, entendeu? E isso dá uma infinidade argumentações possíveis que nem sempre estão certas, então para poupar o trabalho é mais fácil a gente dizer diretamente o que quer que o outro entenda (mas sem grosserias, hein?). Dar “indiretas” abre oportunidades para que o outro interprete do jeito que lhe convier. 
Para acompanhar o que foi falado acima você vai precisar de uma boa dose de realidade, às vezes o que está na sua frente é ainda melhor do que você ficou fantasiando esse tempo todo! Como diria Ana Maria Braga “acorda menina”!


Esse texto foi produzido em parceria com minha a amiga e também psicóloga Patricia Fiorin, quer dar uma olhada nos textos dela? clique aqui!